terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vida de Iguana

Não posso reclamar do tempo que estive emprestado em Villavicencio, riamos muito entre os engenheiros, quando estávamos em base, sempre saiamos para tomar café-da-manhã, almocar e jantar juntos, além de aproveitar a piscina, sauna, tênis e cinema durante o tempo livre. A verdade e que eu passei muito mais tempo em poços do que na cidade propriamente dita, mas foi uma experiência ótima para aprender a se virar em situações não esperadas. Tipo quando eu estava sozinho com o cliente e quase 100 explosivos no poço e a unidade de registros se apagou do nada, tinha entrado ar numa tubulação, mas resolvemos rapidinho, o cliente levou na boa e sequer registrou queixa nem nada.

Sei que parece um pouco metido, mas no meu último trabalho, fui e voltei de helicóptero, como era um pouco mais afastado. A memória ruim é que perdi o meu passaporte nesse acampamento, a outra engenheira também se deu falta de uns óculos escuros e dinheiro. Ligamos pra segurança, mas ninguém encontrou nada... Finalmente na segunda-feira meu chefe de Bogotá me chamou para subir de volta em 4h. Não tive muito tempo para despedidas, fiz um leilão entre os engenheiros da minha raquete de tênis e assim que terminamos o almoço, pegamos na estrada. Meu chefe de Bogotá planejava me emprestar a outra locação semana que vem, mas que não vai me enviar a lugar nenhuma até eu resolver a questão do passaporte/visto.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Trabalho de campo

Essa semana fui a 2 trabalhos em poço, é legal pra ganhar mais experiência prática e ver como trabalham os outros engenheiros. No primeiro trabalho, o cliente ligou dizendo que queria que estivéssemos no poço pra ontem pra fazer os registros. Por sorte, numa das ligações que a Catalina fez, quem atendeu foi o assistente do company man, que revelou que sequer tinham começado a perforar o poço. Infelizmente muitos clientes fazem isso, nos chamam pra chegar 2 dias antes na plataforma pra ficarmos aí plantados esperando acabarem os outros serviços. Com essa informação em mãos, tratamos foi de aproveitar.

Ao invés de ir direto a poço pra não fazer nada, ficamos numa cidadezinha (Puerto Gaitan) no caminho. Um dos operadores conhecia tudo pela região, saímos com o carro da empresa primeiro pra uma nascente/lago, depois fizemos um passeio de barco rio acima. Vimos uma meia dúzia toninas (botos) saltando direto, cheguei a postar um vídeo no facebook. No dia seguinte de manhãzinha fomos ao poço, e como era de se esperar, nada estava pronto...


Assim que eu voltei, no dia seguinte minha chefe me mandou de novo a poço. Dessa vez chegamos mesmo atrasados, como o cliente avisou do trabalho em cima da hora, preparamos tudo de manhã e passamos a noite toda viajando (acho que umas 6-7h de carro). Apesar de terem 3 ou 4 trabalhos pro dia 24 de dezembro, devo passar o natal em Villavicencio mesmo, agora que a minha chefe descobriu que posso fazer pão-de-queijo e caipirinha, hehehe

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Villavicencio


Finalmente cheguei a Villacicencio, a cidadezinha que fica morro abaixo (os Andes) desde Bogota. Aqui o clima e totalmente diferente, super tropical, varias arvores, calor, praticamente so casinhas na cidade (um predio baixinho ou outro). Pra completar o pacote, os engenheiros da base sao super gente fina! Acho que pelo fato de aqui morarmos todos no mesmo conjunto (e que condomino!), a galera e muito mais unida, sempre saem pra comer, jantar, e rimos um bocado. Ao contrario de Bogota, ha muitos trabalhos, parece que as empresas daqui deixaram pra gastar tudo no fim do ano! Estou no pe da minha chefe pra me enviar a poco amanha mesmo!

Aqui temos uma regra muito interessante: quem chegar por ultimo na base paga uma rodade de cafe (ou o que seja) pros outros engenheiros do Juan Valdez, o que as vezes chega a uns R$100! Mas pra compensar tudo aqui e super barato, os taxis custam no maximo R$5 ate o trabalho, o almoco tambem e por ai... O condomino e as casonas onde a gente mora merecem um capitulo a parte... Amanha vou ver se madrugo pra aproveitar a piscina antes do trabalho! Isso sem contar a jacuzzi no quintal de casa ou as quadras de tenis e futebol que provavelmente nao devo nunca usar :P

domingo, 9 de dezembro de 2012

De volta a Bogotá


Como na base onde eu trabalho a maioria dos trabalhos é em locações remotas ou exigem mais experiência, meu chefe aproveitou e me botou pra fazer todos os cursos possíveis e imagináveis. Nem todos são trânqüilos, sempre rola uma avaliação no final. Essa semana fiz um no governo colombiano de autorização para trabalhar com fontes radioativas. Dizem que entre 60-70% dos engenheiros que fazem não passam, o resultado deve sair no final da próxima semana. Outro complicado foi um da Ecopetrol, que a gerente de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente da minha empresa foi fazer comigo. O instrutor resolveu nos passou então a prova mais difícil, e em 15 questões, precisa-se ao menos 13 certas. Tivemos muitas discrepâncias, então ou passou ela (que sempre faz um auê quando algum engenheiro reprovava esse exame) ou passou eu, amanhã saberemos...

Provas feitas, agora só resta esperar os resultados. Pra eu ganhar mais experiência e ir a mais trabalhos, o meu chefe resolveu me 'emprestar' para outra base, Villavicencio, uma cidadezinha 4h de carro de Bogotá. Já falei com o gerente da nova base, me ajudou com os trâmites e tudo, vôo para lá nessa segunda-feira de manhã. Ouvi boatos que as casas de lá são super maneiras, tem até piscina! Conheço pelo menos uns 3 ou 4 engenheiros dessa base, super gente fina, que passaram por Bogotá. Devo passar uns 2 meses por lá. Deixei a minha bicicleta no trabalho, e ficaram de enviar assim que tiver um caminhão descendo a serra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma semana no Rio


Como eu cheguei em Bogotá uma semana antes da outra trainee, meu chefe me deu uma semana de descanso. Aproveitei para comprar as passagens bem pro aniversário de 90 anos da minha bisavó, quando meus tios e primo que também moram fora do país estariam no Rio. Vieram parentes e amigos de todo canto que não víamos há muito tempo, passamos fotos antigas e recentes com a vó num projetor, tia Marceli fez um discurso super bonito, mas com certeza o sorriso radiante de felicidade da aniversariante foi a melhor parte da festa. No dia seguinte foi o mês-versário da minha prima (do lado da família do meu pai), que até então eu não conhecia. Depois ainda teve churrasco com família, praia, bicicleta...

Ainda tive tempo de ir ao meu lugar favorito na cidade: a cachoeira do Horto! Deixamos meu primo de 12 anos ir na frente 'descobrindo' o caminho, que se amarrou em passar pelas pedras, se agarrar nas raízes e tudo o mais. No último dia, meio que por coincidência, almocei com boa parte da família num galeto perto de casa que eu não conhecia. De noite exploramos um restaurante árabe que tem na esquina de casa que sempre tive vontade conhecer. É mesmo uma portinha, mas bastante autêntico. Os donos são iraquianos, o cozinheiro, marroquino, a decoração é bastante oritente médio, inclusive contratam uma garota pra fazer a dança do ventre! Baterias devidamente recarregadas, me tocou vir de volta a Bogotá.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Conhecendo Bogotá


Depois de um bom tempo morando sozinho ou com gente que só vinha passar uma ou duas noites no apartamento (seja para fazer um curso ou só para pegar o próximo vôo), finalmente chegou uma garota a passar 1 mês. No início sempre rola um desconfio mútuo de como será a convivência, mas não podia esperar nada melhor. Como a Hazzel é mexicana e estava pela primeira vez na Colômbia, queria conhecer tudo na cidade! Durante a semana, fomos ao Maloka, um cinema aqui perto de casa onde a imagem é projetada numa sala oval em 180 graus, ou seja, da pra ver um filme totalmente 3D numa resolução impressionante sem óculos nem nada! Na sexta-feira tive a festa de despedida de dois engenheiros transferidos da nossa base, e depois ainda saímos com umas colegas da Hazzel na Zona T.

Final de semana aproveitamos pra explorar todo o centro de Bogotá: bairro da Candelária, museus, artesanatos, lembranças de viagens, e tudo mais. O museu do ouro tem muita coisa pra ver, apesar da maioria dos objetos feitos pelos índiozinhos colombianos serem opacos (não tem quase nada maciço), ainda assim é ouro pra caramba. Mas vi muito mais graça foi nos ojetos feitos de cerâmica ou madeira. Domingo subimos de teleférico o Monteserrate, uma montanhazinha que fica nos limites da cidade. Lá no topo tem uns restaurantes super chiques e uma igrejinha. Como era dia de peregrinação, estava lotado de gente por todos os lados. Lá em cima também tem umas lojas de souveniers bem baratas e comida de todo tipo (como os frangos da jacuzzi ao lado!). A vista da cidade é incrível, e valeu a pena descer caminhando, você vê a cidade de diversos ângulos. Depois demos uma passadinha no museu do Botero, aquele cara que pintava tudo e todos bastante inchados. É engraçado que as pinturas dele lembram mesmo a cara dos colombianos, às vezes da pra reconhecer um ou outro conhecido nos quadros dele, hehehe.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Em territorio indígena


Um dos poços de gás mais importantes da Colombia fica bem no meio de uma reserva indígena,junto com a Venezuela. São cerca de meio milhão de índios que podem passar livremente de um lado para o outro da fronteira, eles tem carros com placas especiais dos 2 paises, já dá pra ter uma ideia de tudo o que não acontece por aí... O mais notório é a gasolina, contrabandeada do pais vizinho (onde não custa quase nada) e vendida em galões a cada esquina nas cidades perto das fronteiras. Antes de ir pro trabalho tivemos um treinamento aqui em Bogotá pra entender mais sobre os índios, como se comportam, e o mais importante: evitar mal-entendidos a todo custo! Os wayuus seguem uma cultura bastante matriarcal, baseado que sempre se pode ter certeza de quem e a mãe, já o pai...

Estava empolgado com o fato de ir pro Caribe no meu primeiro trabalho, a praia não era lá essas coisas, mas foi bastante divertido. Para chegar no poço, só com escolta policial, era mesmo ao lado de uma laguna, mas estávamos proibidos de ir lá. O trabalho em si aconteceu sem grandes problemas, no último dia passeamos um pouco na cidade antes do nosso vôo e aproveitamos pra conhecer um pouco do artesanato indígena, supostamente muito mais barato que em Bogotá. A foto é de uma pequena iguana na calçada (não poço postar fotos do poço/plataforma!).