sábado, 13 de julho de 2013

Volta pro Brasil


O tempo de descanso no Brasil foi otimo e passou voando. Assim que voltei para Barranca, descobri que o meu mundo tinha virado de cabeça pra baixo: o gerente da empresa para Colômbia e Equador fez uma visita na base e demitiu o chefe de Barranca. Não significava exatamente um 'vácuo de poder', todos os dias vinha alguém da alta gerência 'tomar conta' da base. Em menos de 2 semanas realizei o trabalho de 'break-out' com algumas manhas dos engenheiros de Barranca supervisado pelo meu chefe, e finalmente voltei para Bogota.

A foto ao lado é um prato típico da região de Santander aqui na Colômbia, comer essas formigas grandes com sal, na verdade não gostei muito não... Sempre me pareceu bem trânqüilo ir da minha casa para o trabalho de bicicleta aqui em Bogotá, mas uma vez que saí um pouco mais tarde (umas 21h) com o laptop da empresa, meu próprio chefe subiu um reporte e suspendeu a minha promoção. Ficou um clima um pouco pesado no início, mas agora já estou trabalhando bastante. Apesar de não ir mais a poços, estou com muitas atividades, preparando e calibrando trabalhos para todos os lados, muitas vezes como o único engenheiro da base. A boa notícia é que consegui a transferência pro Brasil, vou trabalhar em Aracaju, mas ainda não sei quando.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Chefinho


Uma das diversões em Barranca é falar mal do chefe, que também não é nenhum santo. Sempre começamos o dia com uma reuniãozinha, em que se discute os próximos trabalhos e as atividades que cada um vai fazer. Em geral ele escolhe um ou dois engenheiros pra pegar no pé e fazer um escândalo sobre os problemas que tiveram em campo na frente de todo mundo. Depois segue perguntando um a um o que tem planejado para fazer no dia, e ele considera que não é suficiente pra justificar o dia, te manda embora da base e te marca como dia de férias. Uma época ele queria que fizéssemos um relatório individual todo dia com o que fizemos, mas nos rebelamos e agora acho que já se esqueceu da idéia. Ouvi dizer que ele dá chiliques quando chega na sala dos engenheiros e quase ninguém está no pátio. O lado positivo dessa história (se é que existe), é o que o pessoal é bem pró-ativo e sempre está buscando o que fazer.

Iguanas, corujas e pássaros já não me chamavam mais a atenção, mas na semana passada notei que tem um jacaré no rio que eu cruzo todo dia para ir pro trabalho. Não sei porque isso me fez lembrar do meu chefe, hehehe. Sobre o meu trabalho de break-out, ainda vai demorar mais um pouquinho, porque o outro trainee que está na minha frente teve uns probleminhas, e enquanto a fila não anda... Aproveitei para pedir 2 semanas de descanso no Brasil, prontamente aprovadas. Não esperei mais, e comprei as passagens antes que pensassem em mudar de idéia!

domingo, 17 de março de 2013

Ao trabalho!


Apesar de ser um tanto quanto ranzinza, logo depois da greve, nosso chefe pareceu simpático, disse para esquecer qualquer coisa, e tratar os operadores bem, como se nada tivesse acontecido e esquecer quaisquer ofensas. Como passamos bastante tempo com os operadores durante os trabalhos, se vai conhecendo melhor, e eles também são boas pessoas, mas como em qualquer lugar do mundo, se um não batalha pelos seus direitos, não consegue nada (sem julgar os métodos). Nos poços eles sim trabalham bem (até porque assim podem sair mais cedo), na base já é ao contrário, enrolam ou desaparecem o quanto podem, como vantagem os engenheiros acabam aprendendo conhecendo mais o trabalho deles, já que muitas vezes nós que acabamos fazendo.

Aqui se aprende na marra o quão importante é ser um bom líder, tratar as pessoas bem, e principalmente que os operadores vão com a sua cara, pois se eles 'esquecem' alguma coisa, o responsável por não ter supervisado será sempre você (mesmo sendo humanamente impossível estar em todos os lados ao mesmo tempo). Assim é esperado que o engenheiro convide todos a tomar café da manhã, leve lanche, saia com os operadores depois do trabalho, e por bem ou por mal, isso gera um clima maior de confiança. Outra coisa boa daqui da base são os engenheiros, acho que só cozinhei uma vez em Barranca, sempre almoçamos e jantamos fora, batemos muito papo furado e tem um clima bem bacana de amizade na base. Agora eu entrei na fila expressa para o break-out, essa semana finalmente o outro trainee deve virar capacete branco, depois eu devo ir finalmente a um trabalho como único trainee, e o no próximo, já seria a minha vez. Estou contando os dias.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Em Barrancabermeja


Por fim consegui resolver o lance do visto e no dia segunte viajei para Barrancabermeja, onde supostamente haviam bastantes trabalhos para eu ganhar prática rápido. Assim que cheguei na base, fui falar com o chefe, que estava numa reunião com outros engenheiros e de repente toca o alarme de evacuação. Todos nos seus respectivos pontos de encontro, menos os operadores, que se aglomeram no lado de fora do portão. O chefe perguntou quem apertou o botão, que isso não é brincadeira, mas ninguém falou nada. Logo começamos a ouvir gritos de ordem contra as políticas da empresa, e assim começou a controversa a greve geral de operadores.

Nos reunimos na sala do chefe, dividimos os engenheiros em grupos, faríamos o trabalho dos operadores e engenheiros, a fim de atender aos clientes até que a greve acabasse. Sem operadores, conectamos as ferramentas para os trabalhos mais urgentes, checamos tudo, e guardamos no caminhão. Como tínhamos uma unidade num trabalho, só precisávamos enviar um equipamento, mas como o pessoal do lado de fora não ia deixar sair nada, escondemos tudo num caminhão de refrigerantes que estava na base. Sabe-se lá como, os operadores desconfiaram (ou alguém informou), abriram o caminhão e ficaram furiosos por tentarmos sacar algo da base.


No dia seguinte, recebemos ordens de não pisar na base. Viriam umas ferramentos num vôo fretado, e do aeroporto partiria direto pra locação do cliente. Avisamos aos motoristas que não fossem de modo algum para a base. Sabe-se lá como, apereceram uns camaradas de moto com capacetes escondendo o rosto, e os condutores foram escoltados até a base, de onde não se pode tirar nada, com os explosivos e fontes radioativas que levavam. Eles disseram que a integridade física deles e das famílias são mais importantes, e disso não se pode discordar.

Apesar da nossa empresa pagar mais que a concorrência, ter mais tempo de descanso para os operadores (jornadas máximas de 12h e a cada 21 dias de trabalho, descansam 7), o sindicato daqui enche o saco. A questão é que com a crise, apertaram o cerco aos operadores que marcavam mais dias de trabalho em campo do que realmente faziam, e estão reclamando que com essa política o salário deles vai diminuir. Ok fazer greve, mas daí a não permitir outros trabalharem, ameaçar pessoas e sequestrar bens da empresa, me parece mais coisa de criminosos e uma falta total de compremetimento com o trabalho. Cancelamos todos os serviços e tivemos de chamar a concorrência para nos cobrir. Desde então estamos de descanso na cidade, por vezes encontramos operadores nas discotecas e bares da cidade, já que eles tem turno de revezamento no bloqueio da base...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um dia sem carros em Bogotá


Muita gente não curte o prefeito de Bogotá, chamam ele de traidor, sem noção. A verdade é que ele faz o que acha que é certo, e dane-se o que os eleitores pensam. Apesar de nunca ter citado isso durante as eleições, ele era contra as touradas, e uma vez que assumiu o governo, resolveu fechar a 'Plaza de toros' da cidade e transformá-la num centro cultural, com apresentações teatrais e várias outras atividades. O problema é que a matança dos touros é bastante popular com a elite local, mas parece que ele não se importa muito com isso.

Ontem tivemos o 'dia sin carro' em Bogota, em que o prefeito proibiu todos os carros particulares de sairem nas ruas, várias vias foram liberadas só para bicicletas e lançaram uma campanha maciça para transportes em bicicletas ou em transportes públicos. Apesar dos táxis também estarem liberados, as ruas estavam desertas, sem trânsito nenhum e os ônibus deram conta do recado, quem dera os prefeitos tivessem coragem e fizessem o mesmo no Brasil. http://m.eltiempo.com/colombia/bogota/lo-positivo-y-lo-negativo-del-dia-sin-carro-en-bogota/12583232/1

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vida de Iguana

Não posso reclamar do tempo que estive emprestado em Villavicencio, riamos muito entre os engenheiros, quando estávamos em base, sempre saiamos para tomar café-da-manhã, almocar e jantar juntos, além de aproveitar a piscina, sauna, tênis e cinema durante o tempo livre. A verdade e que eu passei muito mais tempo em poços do que na cidade propriamente dita, mas foi uma experiência ótima para aprender a se virar em situações não esperadas. Tipo quando eu estava sozinho com o cliente e quase 100 explosivos no poço e a unidade de registros se apagou do nada, tinha entrado ar numa tubulação, mas resolvemos rapidinho, o cliente levou na boa e sequer registrou queixa nem nada.

Sei que parece um pouco metido, mas no meu último trabalho, fui e voltei de helicóptero, como era um pouco mais afastado. A memória ruim é que perdi o meu passaporte nesse acampamento, a outra engenheira também se deu falta de uns óculos escuros e dinheiro. Ligamos pra segurança, mas ninguém encontrou nada... Finalmente na segunda-feira meu chefe de Bogotá me chamou para subir de volta em 4h. Não tive muito tempo para despedidas, fiz um leilão entre os engenheiros da minha raquete de tênis e assim que terminamos o almoço, pegamos na estrada. Meu chefe de Bogotá planejava me emprestar a outra locação semana que vem, mas que não vai me enviar a lugar nenhuma até eu resolver a questão do passaporte/visto.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Trabalho de campo

Essa semana fui a 2 trabalhos em poço, é legal pra ganhar mais experiência prática e ver como trabalham os outros engenheiros. No primeiro trabalho, o cliente ligou dizendo que queria que estivéssemos no poço pra ontem pra fazer os registros. Por sorte, numa das ligações que a Catalina fez, quem atendeu foi o assistente do company man, que revelou que sequer tinham começado a perforar o poço. Infelizmente muitos clientes fazem isso, nos chamam pra chegar 2 dias antes na plataforma pra ficarmos aí plantados esperando acabarem os outros serviços. Com essa informação em mãos, tratamos foi de aproveitar.

Ao invés de ir direto a poço pra não fazer nada, ficamos numa cidadezinha (Puerto Gaitan) no caminho. Um dos operadores conhecia tudo pela região, saímos com o carro da empresa primeiro pra uma nascente/lago, depois fizemos um passeio de barco rio acima. Vimos uma meia dúzia toninas (botos) saltando direto, cheguei a postar um vídeo no facebook. No dia seguinte de manhãzinha fomos ao poço, e como era de se esperar, nada estava pronto...


Assim que eu voltei, no dia seguinte minha chefe me mandou de novo a poço. Dessa vez chegamos mesmo atrasados, como o cliente avisou do trabalho em cima da hora, preparamos tudo de manhã e passamos a noite toda viajando (acho que umas 6-7h de carro). Apesar de terem 3 ou 4 trabalhos pro dia 24 de dezembro, devo passar o natal em Villavicencio mesmo, agora que a minha chefe descobriu que posso fazer pão-de-queijo e caipirinha, hehehe

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Villavicencio


Finalmente cheguei a Villacicencio, a cidadezinha que fica morro abaixo (os Andes) desde Bogota. Aqui o clima e totalmente diferente, super tropical, varias arvores, calor, praticamente so casinhas na cidade (um predio baixinho ou outro). Pra completar o pacote, os engenheiros da base sao super gente fina! Acho que pelo fato de aqui morarmos todos no mesmo conjunto (e que condomino!), a galera e muito mais unida, sempre saem pra comer, jantar, e rimos um bocado. Ao contrario de Bogota, ha muitos trabalhos, parece que as empresas daqui deixaram pra gastar tudo no fim do ano! Estou no pe da minha chefe pra me enviar a poco amanha mesmo!

Aqui temos uma regra muito interessante: quem chegar por ultimo na base paga uma rodade de cafe (ou o que seja) pros outros engenheiros do Juan Valdez, o que as vezes chega a uns R$100! Mas pra compensar tudo aqui e super barato, os taxis custam no maximo R$5 ate o trabalho, o almoco tambem e por ai... O condomino e as casonas onde a gente mora merecem um capitulo a parte... Amanha vou ver se madrugo pra aproveitar a piscina antes do trabalho! Isso sem contar a jacuzzi no quintal de casa ou as quadras de tenis e futebol que provavelmente nao devo nunca usar :P

domingo, 9 de dezembro de 2012

De volta a Bogotá


Como na base onde eu trabalho a maioria dos trabalhos é em locações remotas ou exigem mais experiência, meu chefe aproveitou e me botou pra fazer todos os cursos possíveis e imagináveis. Nem todos são trânqüilos, sempre rola uma avaliação no final. Essa semana fiz um no governo colombiano de autorização para trabalhar com fontes radioativas. Dizem que entre 60-70% dos engenheiros que fazem não passam, o resultado deve sair no final da próxima semana. Outro complicado foi um da Ecopetrol, que a gerente de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente da minha empresa foi fazer comigo. O instrutor resolveu nos passou então a prova mais difícil, e em 15 questões, precisa-se ao menos 13 certas. Tivemos muitas discrepâncias, então ou passou ela (que sempre faz um auê quando algum engenheiro reprovava esse exame) ou passou eu, amanhã saberemos...

Provas feitas, agora só resta esperar os resultados. Pra eu ganhar mais experiência e ir a mais trabalhos, o meu chefe resolveu me 'emprestar' para outra base, Villavicencio, uma cidadezinha 4h de carro de Bogotá. Já falei com o gerente da nova base, me ajudou com os trâmites e tudo, vôo para lá nessa segunda-feira de manhã. Ouvi boatos que as casas de lá são super maneiras, tem até piscina! Conheço pelo menos uns 3 ou 4 engenheiros dessa base, super gente fina, que passaram por Bogotá. Devo passar uns 2 meses por lá. Deixei a minha bicicleta no trabalho, e ficaram de enviar assim que tiver um caminhão descendo a serra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma semana no Rio


Como eu cheguei em Bogotá uma semana antes da outra trainee, meu chefe me deu uma semana de descanso. Aproveitei para comprar as passagens bem pro aniversário de 90 anos da minha bisavó, quando meus tios e primo que também moram fora do país estariam no Rio. Vieram parentes e amigos de todo canto que não víamos há muito tempo, passamos fotos antigas e recentes com a vó num projetor, tia Marceli fez um discurso super bonito, mas com certeza o sorriso radiante de felicidade da aniversariante foi a melhor parte da festa. No dia seguinte foi o mês-versário da minha prima (do lado da família do meu pai), que até então eu não conhecia. Depois ainda teve churrasco com família, praia, bicicleta...

Ainda tive tempo de ir ao meu lugar favorito na cidade: a cachoeira do Horto! Deixamos meu primo de 12 anos ir na frente 'descobrindo' o caminho, que se amarrou em passar pelas pedras, se agarrar nas raízes e tudo o mais. No último dia, meio que por coincidência, almocei com boa parte da família num galeto perto de casa que eu não conhecia. De noite exploramos um restaurante árabe que tem na esquina de casa que sempre tive vontade conhecer. É mesmo uma portinha, mas bastante autêntico. Os donos são iraquianos, o cozinheiro, marroquino, a decoração é bastante oritente médio, inclusive contratam uma garota pra fazer a dança do ventre! Baterias devidamente recarregadas, me tocou vir de volta a Bogotá.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Conhecendo Bogotá


Depois de um bom tempo morando sozinho ou com gente que só vinha passar uma ou duas noites no apartamento (seja para fazer um curso ou só para pegar o próximo vôo), finalmente chegou uma garota a passar 1 mês. No início sempre rola um desconfio mútuo de como será a convivência, mas não podia esperar nada melhor. Como a Hazzel é mexicana e estava pela primeira vez na Colômbia, queria conhecer tudo na cidade! Durante a semana, fomos ao Maloka, um cinema aqui perto de casa onde a imagem é projetada numa sala oval em 180 graus, ou seja, da pra ver um filme totalmente 3D numa resolução impressionante sem óculos nem nada! Na sexta-feira tive a festa de despedida de dois engenheiros transferidos da nossa base, e depois ainda saímos com umas colegas da Hazzel na Zona T.

Final de semana aproveitamos pra explorar todo o centro de Bogotá: bairro da Candelária, museus, artesanatos, lembranças de viagens, e tudo mais. O museu do ouro tem muita coisa pra ver, apesar da maioria dos objetos feitos pelos índiozinhos colombianos serem opacos (não tem quase nada maciço), ainda assim é ouro pra caramba. Mas vi muito mais graça foi nos ojetos feitos de cerâmica ou madeira. Domingo subimos de teleférico o Monteserrate, uma montanhazinha que fica nos limites da cidade. Lá no topo tem uns restaurantes super chiques e uma igrejinha. Como era dia de peregrinação, estava lotado de gente por todos os lados. Lá em cima também tem umas lojas de souveniers bem baratas e comida de todo tipo (como os frangos da jacuzzi ao lado!). A vista da cidade é incrível, e valeu a pena descer caminhando, você vê a cidade de diversos ângulos. Depois demos uma passadinha no museu do Botero, aquele cara que pintava tudo e todos bastante inchados. É engraçado que as pinturas dele lembram mesmo a cara dos colombianos, às vezes da pra reconhecer um ou outro conhecido nos quadros dele, hehehe.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Em territorio indígena


Um dos poços de gás mais importantes da Colombia fica bem no meio de uma reserva indígena,junto com a Venezuela. São cerca de meio milhão de índios que podem passar livremente de um lado para o outro da fronteira, eles tem carros com placas especiais dos 2 paises, já dá pra ter uma ideia de tudo o que não acontece por aí... O mais notório é a gasolina, contrabandeada do pais vizinho (onde não custa quase nada) e vendida em galões a cada esquina nas cidades perto das fronteiras. Antes de ir pro trabalho tivemos um treinamento aqui em Bogotá pra entender mais sobre os índios, como se comportam, e o mais importante: evitar mal-entendidos a todo custo! Os wayuus seguem uma cultura bastante matriarcal, baseado que sempre se pode ter certeza de quem e a mãe, já o pai...

Estava empolgado com o fato de ir pro Caribe no meu primeiro trabalho, a praia não era lá essas coisas, mas foi bastante divertido. Para chegar no poço, só com escolta policial, era mesmo ao lado de uma laguna, mas estávamos proibidos de ir lá. O trabalho em si aconteceu sem grandes problemas, no último dia passeamos um pouco na cidade antes do nosso vôo e aproveitamos pra conhecer um pouco do artesanato indígena, supostamente muito mais barato que em Bogotá. A foto é de uma pequena iguana na calçada (não poço postar fotos do poço/plataforma!).

sábado, 27 de outubro de 2012

Vida em Bogota


Algo interessante aqui em Bogotá é que nos domingos e feriados fecham diversas ruas para carros e formam as chamadas 'ciclovias' das 7h da manhã às 2h da tarde. Aproveitei um desses feriados pra conhecer o centro da cidade de bicicleta, passei pelo bairro da candelária, muitas igrejas e casas antigas, tentei subir os Andes, mas morri no logo início do morro e voltei pra ciclovia. O bacana é que surgem vendedores de tudo pelo caminho, comprei um pedaço de melancia por menos de 50 centavos, provei um misto de frutas e ainda uma campainha pra bicicleta.

Sexta-feira é dia de futebol na empresa, e apesar das minhas conhecidas habilidades futebolísticas, resolvi participar. Enquanto estava no gol, tomei uma bolada na mão que ficou super inchada. Depois todos os engenheiros saíram pra jantar com o chefe (que me mandou ir ao médico) e emendamos num clube que ficava no último andar (45o) de um prédio no centro de Bogotá: muito legal ver todas as luzes da cidade. No dia seguinte eu iria mesmo ao médico, o problema é que tinha esquecido o passaporte na empresa, e nem a pau eu iria passar no exame do bafômetro que fazemos ao entrar(e ser pego nesse exame é uma falta gravíssima!).

No dia seguinte passei na empresa, finalmente peguei o meu passaporte, fiz alguns exames online e fiquei fazendo hora pro almoço. Fui num hospital aqui perto da minha casa, e depois da médica me atender e tudo, disse que eu estava na clínica errada (ela atendia só casos de vida ou morte), e me tocou esperar ser transferido pra outro hospital junto com toda a galera que se enganou. Passei por mais duas filas pra conseguir ser atendido, a médica disse que provavelmente eram bactérias e que isso poderia crescer muito, tomei uma injeção, me receitou antibióticos e descanso.

Resumo da ópera: nada de ir de bicicleta pro trabalho por uma semana! Tudo bem, voltei a ir e voltar de táxi, como fazia antes. O problema foi que quarta-feira o tempo estava ameaçando fechar, e depois de mais de 30 minutos chamando táxi e nada. Liguei pro pessoal da empresa que mora aqui perto e perguntei como eles iam pro trabalho. Apesar da passagem custar 1500 pesos, não sei como eles negociam o preço com o motorista e conseguem pagar só 1000. Sempre que vou sozinho pago os 1500, que ainda é muito mais barato que o táxi.

domingo, 14 de outubro de 2012

Pit-stop no Rio, e Colombia!


Foi uma semana de férias no Rio de Janeiro, mas que passou voando. Logo que notei, eu já estava de novo em Bogotá. Como era de se esperar que tudo acontece comigo, o motorista não tinha a chave do apartamento, nem sabia onde eu ia ficar, muito menos com quem conseguir a bendita chave. Depois de rodar Bogotá inteira e fazer mil telefonemas, consegui por fim me mudar para o novo endereço. Claro que ninguém trouxe as malas da outra habitação, mas isso é só detalhe. Aproveitei o tempo livre (raridade) antes de começar o trabalho pra comprar uma bicicleta e testar os melhores caminhos para ir pro trabalho.

Como já era de se esperar, os engenheiros mais antigos passam para os trainees tudo o que eles não querem fazer, e da-lhe calibração de ferramentas, que sempre tomam muito tempo! No meu primeiro dia, me colocaram num vôo com 2 operadores para uma cidadezinha perto da fronteira com a Venezuela calibrar duas ferramentas que estavam aí. Detalhe que eu só tinha visto isso uma vez na escola, e nenhum dos meus operadores tinham calibrado um AIT antes. Por sorte eu estava com o manual, mas mesmo assim quebramos muito a cabeça pra conseguir finalizar tudo antes das 8h, quando saía o nosso vôo pra Bogotá.

Virado, voltei a base só pra subir as calibrações, mas a gerente dos trainees me chama pra ouvir mais de 1h de blablablá. Logo depois do almoço parti para casa e só acordei no dia seguinte na hora de ir trabalhar. Surgiu um trabalho e o pessoal precisava que calibrassem algumas ferramentas (advinha pra quem sobrou?), dessa vez conseguimos acabar 4h e pouco da manhã e 5h já estava na minha caminha. 9h30 me ligam: precisam que calibre mais coisas! Pulo da cama e pego o primeiro táxi para a base. De tardinha meu chefe avisa que eu também iria pra esse trabalho, mas por fim descobriram que não tinha espaço no carro, e acabei ficando. Por fim consegui voltar pra casa um pouco antes das 23h.

domingo, 7 de outubro de 2012

Saindo do Rússia

A burocracia russa é algo que eu não desejaria nem pro meu pior inimigo (talvez uma exceção ou outra!), a boa vontade do pessoal que trabalha com essa papelada é impressionante. Apesar de termos ido para uma oficina que trata basicamente de estrangeiros, nenhum dos funcionários falava inglês, muito menos se esforçava para ser entendido. Como chegamos na sexta-feira faltando 30 minutos pra fechar, só conseguimos mesmo o formulário e umas taxas para serem pagas no banco. O Ulan nos ajudou traduzindo, e logo depois pegou o vôo pro Cazaquistão.

Acabamos passando a primeira noite no hotel do aeroporto, entramos em contato com a empresa, pedimos pra mudar para outro hotel mais perto do escritório e uma tradutora pra segunda-feira. Aproveitamos o tempo livre no final de semana pra passear um pouco por Moscou, mas estávamos super cansados e estressados. A Luisa tinha viagem marcada pra Cuba na segunda-feira, a namorada do David deu um ultimato, e cada dia a mais na Rússia significava um dia a menos de férias!

Na segunda-feira só conseguimos uma tradutora depois de brigar muito com a empresa, nos mandaram a 3 escritórios diferentes, e no fim das contas não resolvemos nada. Fiz um booking via telefone para mais uma noite, mas ao chegar pessoalmente no hotel (quase meia-noite), nos recusaram porque nossos vistos não eram mais válidos. Outra dor de cabeça até arranjar um hotel que nos aceitasse (um 4 estrelas!). Ligamos para os nossos chefes, que contactaram o pessoal da Rússia, que finalmente passou a nos tratar como prioridade máxima.

Na terça-feira enviaram uma garota super sagaz, que em 2 tempos conseguiu as assinaturas que normalmente demoravam uma semana, contactamos as embaixadas, e os vistos que eram pra demorar 10 dias, sairam no mesmo dia, e corremos para o aeroporto pegar o próximo vôo! Perdemos por 5 minutos, mas dormimos no saguão e no dia seguinte de madrugada, nós 4 conseguimos voltar pra casa!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Barrados em Moscou


Nosso vôo tinha uma escala de mais de 10h em Moscou mas ao invés de ficar num hotel, resolvemos aproveitar pra conhecer a cidade. Deixamos as malas no locker do aeroporto, pegamos o trem, saltamos na praça vermelha, tiramos um montão de fotos e gastamos os nossos últimos rublos comprando souveniers! Não estava tão frio quanto em Tyumen, mesmo de noite estava cheia de turistas, e tudo muito bem iluminado. Finalmente sairíamos da Rússia com uma boa impressão! Ainda chegamos bem cedo no aeroporto, dormimos umas duas horinhas no chão e fizemos o check-in assim que abriu o balcão.

Eu, o David e a Nesmar já tínhamos passado sem problemas pela imigração e ficamos esperando o resto da turma, mas seguraram a Yully e a Luisa, e ninguém entendia qual era o problema, já que nem os oficiais da imigração do aeroporto falavam inglês. Finalmente chamaram um cara que falava inglês e pediu pra conferir os nossos passaportes. Aparentemente o problema é que o nosso vôo chegou um pouco antes do previsto e cruzamos a fronteira alguns minutos antes da meia-noite, menos a Nesmar, que foi liberada por ter atravessado às 24h02, e acabamos ficando um dia a mais do que nosso visto permitia.

Falaram que iriam tirar a nossa bagagem do avião e que só permitiriam a gente sair da Rússia com um visto válido. Sequer deixaram a gente fazer uma ligação. Esperamos várias horas numa salinha, assinamos um documento todo em russo (no qual confessávamos ser criminais administrativos no país), nos deram umas multas para pagar e um endereço pra dar entrada no visto. Assim que nos liberaram, falamos com a companhia aérea, buscamos nossas bagagens, compramos um celular russo e ligamos pra nossa empresa, que também não tinha muita idéia do que fazer. Batemos no hotel de um amigo Cazaqui que fala russo e começamos nossa aventura pelos quatro cantos de Moscou...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Fim de curso!

E verdade que esses ultimos 3 meses mais pareceram 3 anos, mas sim, finalmente o curso chegou ao fim! No final das contas completei com 80%, otimas recomendacoes, boas memorias, varios amigos de confianca e um baita aprendizado sobre o meu trabalho. Destruir todos os CDs e as impressoes que consumiram tantas horas na maquina de picar papel foi uma sensacao maravilhosa. A unica noticia ruim e que demitiram uma garota no ultimo dia da escola, ja que ela ficou abaixo de 70% na media final. Obvio que na hora ela ficou arrasada, mas a vida nao para so por causa disso. De noite ela tambem saiu com a gente e os instrutores para a janta de despedida, emendamos numa discoteca onde ela foi escolhida a garota do mes e agora ela ja esta em Moscou esperando pela sua conexao de volta pra casa!

Apesar de termos ido dormir muito tarde, hoje a aula comecou as 9h como sempre. Alguns alunos tiveram problemas para acordar (entende-se porque). Como varios estao viajando hoje (eu inclusive!), acabamos tudo por volta de meio-dia e pedimos pizzas para celebrar. Mais da metade da turma confirmou ir pro Brasil em 2014 (ou antes!), haja colchonete pra receber todo mundo! Nossas despedidas foram muito mais como um 'ate logo!', ja que esperamos mesmo encontrar com todo mundo. Se tudo der certo, ano que vem faremos nosso proximo curso em Abu Dhabi!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Montanha-russa

Marcaram o exame do meio do curso na terca-feira passada, exatamente no dia do meu aniversario. Por volta da meia-noite tocaram na minha porta, nao estranhei nada, ja que normalmente estudamos ate tarde. A surpresa veio ao abrir a porta: a turma inteira cantando parabens com uma garrafa de champagne para comemorar! O fato de alcool ser terminantemente proibido dentro do centro de treinamento deu um gostinho ainda mais especial! Depois joguei a garrafa na lixeira em frente ao dormitorio do segmento rival (D&M), hehehe. A prova foi tranquila, tirei 84, e tambem tive boas notas no trabalho (81 e 76).

Passei a me sentir mais confiante no curso e relaxei um pouco nos estudos. No dia seguinte fiquei bem abaixo da media na prova (57), e depois novamente 66. Essa semana tivemos as avaliacoes que foram enviadas para os nossos chefes, e como fui bem no ultimo trabalho, esperava um B, mas acabei recebendo C: cumprindo metas, preciso melhorar minha iniciativa e nervosismo. Para tal, vao me colocar como primeiro engenheiro nas praticas (o que eu mais temia!). Esse curso e mesmo como uma montanha-russa, cheio de sobes e desces. Mas com certeza ao termina-lo estarei muito melhor preparado do que quando cheguei.

Esse domingo (nosso dia de folga) vamos fazer um churrasco com a turma numa casa que alugamos aqui perto: tentar relaxar um pouco!

sábado, 18 de agosto de 2012

Primeiro trabalho

A grande diferenca entre o que eles chamam de pratica e trabalhos, e que nos trabalhos ninguem esta autorizado a te ajudar, conta muito mais pontos e eles colocam muita mais pressao. Dessa vez ja estava muito mais tranquilo e relaxado, apesar de todos os problemas que sempre acontecem. Um dos instrutores sabotou a minha unidade, desconectando um dos principais cartoes do sistema de dados. Por sorte o meu operador notou logo e consertamos rapidinho. Quando fui buscar as fontes radioativas, esqueci a chave dentro da fechadura, que acabou amassando com a porta. Nao satisfeito com o tamanho da cagada, resolvemos tentar consertar amassando a chave pro outro lado, mas no final acabamos partindo ela em 2.

Fui direto pro instrutor relatar o ocorrido, e como era de se esperar, levei um esporro daqueles, que nao estou sendo nem um pouco responsavel ou cuidadoso, e se fossem fontes de verdade? Por fim enviaram alguem pra cidade fazer uma copia e nao sei quantos pontos perdi ai. Fora isso, meu operador do guincho mais preocupado em tirar fotos do que trabalhar, hehehe, e uma serie de modificacoes que pediram pra fazer no relatorio final. Foram quase 16h de trabalho direto sem pausa pra almoco ou janta, e a tendencia a partir de agora e so aumentar! O lado bom e que gosto mais do meu emprego e me sinto mais confiante a cada pratica/trabalho que passa!

sábado, 11 de agosto de 2012

Novas praticas

Quando descobri que seria o primeiro de novo, quase que me desesperei: na hora tive certeza que os instrutores queriam que eu fosse mal de novo (ja que o primeiro sempre sofre mais pressao) pra me mandarem embora logo, pois ja tinha uma nota baixa na primeira pratica. Anotei a calibracao do medidor de radiacao no lugar errado, copiei o arquivo errado do computador, coloquei uns alarmes errados, fiz um monte de besteiras, tivemos que evacuar o predio (acho que treinamento), atrasei a entrega, mas no final das contas consegui trabalhar bem no projeto e fiquei com 70 e 80. Como na outra pratica tambem fiquei com 70 e 80, passei a me sentir um pouco mais tranquilo.

Domingo passado eu fiquei o dia todo no campo trabalhando, ja na segunda tive um pouco (nao muito) de tempo, e logo encontrei os brasileiros de D&M no cafe da manha me perguntando como foi o final de semana (?), que eles foram a Moscou, etc. e tal. Depois eles nao querem ser vistos como vida mansa... Aproveitei que estava um pouco livre e fomos jantar num restaurante na cidade que tocava salsa (ja que nesse fim de semana eles viajam pra St. Peterburgo!). E impressionante como os russos gostam de musica latina, a galera dancava super bem. O que eu nao gosto muito e o dress code daqui, nao se pode ir a restaurantes ou discotecas com tenis, sempre sapatos e roupas mais formais. Essa semana tivemos so aulas de interpretacao e uma provinha ontem.